Quem sou eu?
O Salgador da Pátria nasceu numa manhã enevoada no ano de 1981. Quando chegou cá fora viu que tinha nascido em Portugal mas já não havia nada a fazer; tinham-lhe prometido que nasceria na Finlândia e enganaram-no redondamente.(1)
Durante a sua vida nunca saiu da mediocridade, excepto umas quantas vezes em que desceu ainda mais alguns patamares na escala dos bípedes mamíferos que habitam o orbe terrestre. Foi bom aluno na escola durante dois dias que pode precisar com absoluta certeza: 22 de Maio de 1989 e 06 de Abril de 1991, mas já não se lembra porquê. Em 1999 ingressou no sistema de ensino superior português e após alguns anos sem estudar peva conseguiu um canudo numa área onde sobejam no nosso país oportunidades de emprego e investigação: História da Arte. Trabalhou em vários locais sombrios como galerias de arte, mas o que ele gosta mesmo de fazer é entreter os senhores e as senhoras do Instituto de Emprego e Formação Profissional, actividade sobre a qual tem desenvolvido vários workshops, dada a sua vasta experiência neste campo.
Possui quatro heterónimos muito desenvolvidos que ultrapassam largamente a escala teórica de Fernando Pessoa: um é Xavier Rodrigues, astrónomo em Portalegre, outro é o Bento XVI, o outro é o Santo Padre Richard Dawkins e o último um gajo que vive em Guimarães mas é de Viana e escreve um blog.(2)
É de esquerda e não defende a direita, mas isso também não interessa a ninguém porque só votou no referendo do aborto e o Silvio Berlusconi é italiano. Não é uma pessoa influente: a sua mãe é doméstica e o pai trabalha numa profissão indiferenciada, o que lhe garante bons conhecimentos no Parlamento Europeu e em algumas aldeias do Minho. Além disso, é sócio-fundador da Associação Ateísta Portuguesa(3) e amigo pessoal de Azadur, um filho de emigrantes do Bangladesh que vive em Inglaterra e que anda sempre sem dinheiro.
Como ponto alto da sua vida elege o ano de 1986 quando afirmou que Michael Jackson gostava de crianças e ninguém lhe ligou nenhuma.
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(1) Isto não se faz a um anjinho!
(2) No subconsciente deste último heterónimo mora outra personagem curiosa que gosta de correr nu nas ruas de Nova Iorque mas que não tem a certeza se alguma vez já o fez.
(3) D. José Policarpo não gostou disto, mas não pôde fazer nada porque Deus não o ajudou.



